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La COP que desbordó’: la participación de la sociedad civil y la confrontación política se destacan en la COP30

La profesora Lorena Cândido Fleury, vinculada al INCT Participa a través del núcleo Tecnología, Medio Ambiente y Sociedad (TEMAS), de la Universidad Federal de Rio Grande do Sul (UFRGS), participó en la COP30, en noviembre, en Belém, como miembro de la delegación brasileña, en el segmento de la sociedad civil y académica.

En conversación con el INCT Participa, describe esta Conferencia de las Partes como un punto de inflexión en la historia de los eventos climáticos de la ONU.

En su análisis, la conferencia de Belém no fue solo un escenario para negociaciones diplomáticas, sino un fenómeno complejo, marcado por grandes marchas (la Marcha de los Pueblos por el Clima reunió a cerca de 70 mil personas), protestas y una participación de la sociedad civil que “desbordó” las áreas oficiales, en más de 200 espacios de Belém que crearon un ecosistema de debate y movilización que fue mucho más allá del centro de convenciones.

Destaca la participación de los pueblos originarios en esta COP, con al menos 5 mil indígenas presentes en los debates, según el Ministerio de los Pueblos Indígenas, un hecho sin precedentes.

Participação indígena nesta COP foi inédita. Foto: Ueslei Marcelino/COP30 

Além da tradicional Blue Zone (ou Zona Azul), a área oficial de negociação, e da Green Zone (a Zona Verde), a feira de pavilhões, Belém abrigou a Cúpula dos Povos, um evento independente e autônomo; a Aldeia COP, que recebeu mais de 3.500 indígenas; espaços setoriais, como o dedicado ao agronegócio na sede da Embrapa; e mais de 200 "casas" de diversas entidades, desde organizações como SESI e SENAI até ONGs como a SOS Mata Atlântica e instituições acadêmicas como o Museu Emílio Goeldi, todas com programações paralelas.

O confronto político e a diversidade de estratégias de mobilização também foram uma marca nesta COP. Dois momentos chamam a atenção.

Primeiro, o princípio de confusão na terça-feira, 11 de novembro, quando um grupo composto por integrantes dos coletivos jovens do PSOL e alguns indígenas forçou a entrada em uma área reservada da Blue Zone “para mostrar quais são os povos que deveriam estar neste evento”.

Segundo, na manhã de sexta-feira, 14 de novembro, um grupo de aproximadamente 100 Indígenas do povo Munduruku bloquearam a entrada da Blue Zone, num protesto contra o avanço de projetos de garimpo e navegação sobre seus territórios. Eles exigiam audiência com o presidente Lula. Pouco depois, indígenas do Baixo Tapajós também fizeram outro bloqueio no local.

Os atos tiveram efeito. O presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, e as ministras Sonia Guajajara (Povos Indígenas) e Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima), e a presidente da Funai, Joenia Wapichana, reuniram-se no mesmo dia com lideranças indígenas para ouvir suas demandas.

Essa efervescência social e política contrastou com a atmosfera mais restritiva das COPs anteriores, sediadas no Azerbaijão (2024), nos Emirados Árabes Unidos (2023) e no Egito (2022), países de vieses autoritários.

"Tudo isso estava acontecendo ao mesmo tempo e eram formas pelas quais a COP estava operando", observa Lorena Fleury. "Estava produzindo efeitos, estava produzindo encontro".

Marcha dos Povos pelo Clima contou com cerca de 70 mil pessoas. Foto: Allegra Zaia e Maria Eduarda Matias

Para Fleury, esta efervescência social serve para refutar a noção cética de que "a COP não serve para nada". Embora os resultados nas negociações formais sobre a redução de emissões possam ser frustrantes, o evento serve para "muita coisa".

A força da participação, o volume de conexões estabelecidas entre grupos do Brasil, da América Latina e do mundo, e os efeitos políticos e sociais que saíram desses encontros demonstram a vitalidade e a relevância da conferência como um campo de articulação.

Em resumo, o cenário em Belém era composto por grupos que priorizaram a incidência institucional na Blue Zone, organizações que optaram por construir debates em espaços paralelos como as "casas", e movimentos que escolheram a ação direta e as manifestações como principal forma de expressão política.

A pesquisadora Rayza Sarmento, vinculada ao INCT Participa através do Grupo de Pesquisa em Gênero, Comunicação, Democracia e Sociedade, o GCODES, da Universidade Federal do Pará (UFPA), acompanhou a programação sobre gênero na Zona Verde e na Cúpula dos Povos. Ela também deu um depoimento ao INCT Participa.  

"A COP 30, em Belém, teve uma presença massiva da sociedade civil, fora da Zona Azul. Na Zona Verde foi bastante frequente a presença articulada de movimentos junto aos estandes de palestras e programações do governo federal, especialmente das pastas de Direitos Humanos, Mulheres e Povos Indígenas. Como grupo de pesquisa e INCT Participa, estivemos inclusive na programação do Ministério das Mulheres, em mesa sobre violência e defesa dos territórios e direitos humanos. Mas, certamente, a mobilização mais intensa se deu na Cúpula dos Povos, com lideranças de mais de 60 países, no campus da Universidade Federal do Pará, finalizada com uma marcha com mais de 50 mil pessoas. Como um contraponto às reuniões da COP30, movimentos sociais, sobretudo do Sul Global, pautaram estratégias para a construção da justiça socioambiental a partir das perspectivas das populações mais vulneráveis pela crise climática. Ao longo dos bairros do centro histórico de Belém, movimentos e organizações não-governamentais também construíram espaços de programação paralela, em uma dezena de "casas", como as da Mídia Ninja, do Jornalismo Socioambiental, da COP do Povo. As casas receberam debates e oficinas voltadas à população em geral e aos ativistas.”
 

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