O 49º Encontro Anual da Anpocs (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais) aconteceu presencialmente em Campinas, dos dias 22 a 24 de outubro. De 15 a 17 de outubro, foram os dias das apresentações virtuais. O INCT Participa esteve presente em várias mesas e com diversos pesquisadores e pesquisadoras.
Euzeneia Carlos (NUPAD/UFES) coordenou o GT "Controles democráticos, instituições e participação", o que, segundo ela, "representou um novo fórum para o debate sobre a participação institucional, o associativismo e o confronto político, fomentando as trocas e o debate qualificado de modo articulado às outras formas de controle democrático".
Luana Taborda, pós-doutoranda do INCT Participa, participou como apresentadora de trabalhos, debatedora e ouvinte. Ela observa que a reconstrução da participação no governo Lula 3 foi tema recorrente do congresso.
“Os primeiros diagnósticos das pesquisas apontam para, entre outros elementos, a sobreposição de instâncias e espaços participativos, com o restabelecimento de conselhos, conferências, comissões etc., e a criação de novos espaços, coletivos e individuais, como as assessorias de participação e plataforma Brasil Participativo. O desafio posto na agenda da rede de pesquisadoras/es do INCT Participa é compreender principais mudanças e impactos destes processos nas configurações políticas a nível nacional e local”, afirma.
Para Luana Taborda, também é interessante notar a diversidade temática e metodológica nas pesquisas, como conservadorismo, ciberativismo, gênero e sexualidade, indígenas, interações socioestatais, mas também temas clássicos da ação coletiva: protestos, atores religiosos, trabalhadores, dentre muitos outros.
“Entre construção de bancos longitudinais e investigações sobre novos fenômenos, entre dimensões micro e macro sociais, é perceptível um certo equilíbrio que esta pluralidade de objetos de pesquisa traz. O campo de estudos segue ampliando o radar e aperfeiçoando estratégias para melhor compreendermos como a participação social vem ocorrendo em território brasileiro”, completa.
Lilian Sendretti, pesquisadora do NDAC/Cebrap, do INCT Participa, apresentou seu trabalho na mesa sobre polarização, antipartidarismo, representação e o lugar dos afetos na política.
“Foi uma mesa com a cara do INCT Participa, que é trazer dimensões multidisciplinares para abordar uma mesma questão. Eu trouxe uma análise do comportamento político, que é pensar o lugar das emoções dentro do cenário de polarização. Eu falei sobre o que chamo de ‘burnout cívico’, que é o cansaço ou o medo que os eleitores e eleitoras têm em relação à política, que se tornou um ambiente tóxico, conflituoso”, diz.
Para Lilian Sendretti, para manter a saúde dos vínculos afetivos, as pessoas evitam falar de política. “O ‘burnout cívico’ não é apatia política, porque as pessoas têm preferência, elas só deixaram de manifestá-las. Também não é um desencantamento democrático, porque não necessariamente implica que a resposta a isso é a adoção de crenças autoritárias”, continua. "Burnout cívico" é um conceito que Lilian elaborou de maneira indutiva a partir dos relatos de eleitoras e eleitores de diferentes perfis de voto em entrevistas e grupos focais.
Marcelo Burgos Santos (NESPP/UFPB), membro do comitê gestor do INCT Participa, co-coordenou o “GT 19 Internet, Política e Cultura”. Ele destaca a pesquisa “Participação online a que custo? Um estudo da difusão de websites privados em Câmaras Municipais mineiras e seus efeitos sobre as iniciativas para envolvimento dos cidadãos”, de Isabele Mitozo, da UFMG, com coautoria de Thales Torres Quintão (UFAC). "Muitas das discussões feitas no INCT Participa foram abordadas nesse GT, como ativismo digital e uso das mídias para a política", conta Wilson Oliveira (LEPP/UFS).
Houve, ainda, outros dois momentos importantes para o INCT Participa. No primeiro, a professora Rebecca Abers (Resocie/UnB) recebeu o Prêmio Anpocs de Excelência Acadêmica Gildo Marçal Brandão em Ciência Política, um dos mais importantes reconhecimentos da área.
O segundo foi o lançamento do livro “Consequências de movimentos sociais nas políticas públicas no Brasil”, organizado pelas pesquisadoras Euzeneia Carlos (NUPAD), Monika Dowbor (NDAC) e Maria do Carmo Albuquerque (NDAC), todas vinculadas ao INCT Participa. O evento na Anpocs reuniu autoras e público interessado na divulgação e difusão dessa importante obra para o debate sobre movimentos sociais, políticas públicas e democracia.
Assista às transmissões que foram realizadas ao vivo no YouTube da Anpocs.
A seguir, algumas das mesas coordenadas por membros do INCT Participa.





