Este projeto analisa as estratégias de incidência política desenvolvidas pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) no contexto da COP30. O estudo tem como objetivo examinar os mecanismos políticos acionados pela organização para negociar sua agenda de justiça climática e territorial com o governo federal brasileiro, com ênfase na elaboração da NDC Quilombola, na construção de alianças intersetoriais e na produção de narrativas autônomas. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, do tipo estudo de caso instrumental, que utilizou análise documental e de conteúdo de materiais audiovisuais produzidos entre outubro e novembro de 2025, incluindo o documento “NDC dos Quilombos do Brasil” e registros públicos de divulgação. Os resultados demonstram que a CONAQ articulou uma atuação contracolonial ao elaborar uma NDC específica, traduzindo a demanda histórica por titulação territorial em metas de carbono mensuráveis, e ao fomentar alianças com povos indígenas e comunidades tradicionais. A organização também investiu na formação de jovens lideranças e na produção de narradoras próprias, posicionando-se como guardiã dos territórios e solucionadora da crise climática. Conclui-se que a CONAQ opera por uma estratégia dupla de pressão e proposição, oferecendo contribuições acadêmicas ao demonstrar como movimentos sociais ressignificam espaços de governança global e contribuições sociais ao evidenciar a viabilidade de modelos alternativos de desenvolvimento baseados nos saberes quilombolas.
Participantes (Núcleo)
Marcadores Sociais da Diferença/UFPI: Olivia Perez, Árion Bartira





