Autores:
Alexsander Fonseca de Araujo (UFES)
Euzeneia Carlos (UFES/INCT Participa)
Resumo:
Neste artigo, examinamos a estrutura das redes de relações do Movimento dos Atingidos por Barragens do Espírito Santo (MAB-ES) no desastre do Rio Doce. Foi um desastre sem precedentes no Brasil, desencadeado pelo rompimento da barragem de Fundão das mineradoras Samarco, Vale e BPH Billiton em 2015, em Minas Gerais. Após o desastre do Rio Doce, a difusão do MAB para o Espírito Santo foi marcada pela construção de uma identidade coletiva entre os atingidos. O MAB-ES também desempenha um papel importante na organização e articulação dos atingidos, atuando na formação organizacional e identitária da sociedade civil local. Nesse cenário de injustiças socioambientais, como se configuram as redes de relações do MABES em seu conflito com autoridades e corporações? Quais processos e mecanismos influenciam a dinâmica dessas redes e como elas se alteram ao longo do tempo? Por meio de pesquisa de método misto, foram examinados cinco anos do desastre socioambiental (2015-2020): (i) survey com 44 ativistas de 36 movimentos sociais e organizações civis do Espírito Santo; (ii) entrevistas em profundidade com 4 ativistas; e (iii) análise de redes sociais. O estudo evidencia um processo de expansão, mudanças e estabilização das redes de relacionamento do MAB-ES ao longo do tempo, demonstra seu papel na mobilização e intermediação do conflito, processo que opera os mecanismos de corretagem e difusão.
Fonte: Dilemas - Revista de Estudos de Conflito e Controle Social, v. 18 n. 1 (2025)
DOI: https://doi.org/10.4322/dilemas.v18.n1.63146
Link: https://revistas.ufrj.br/index.php/dilemas/article/view/63146
Imagem: Thais Gobbo





