Autores:
Pedro Crepaldi Carlessi
Vitor Henrique Pinto Ido
Islândia Maria Carvalho de Sousa
Resumo:
Desde a década de 1970, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem promovido a “medicina tradicional” como uma categoria global de políticas para cuidados de saúde fundamentados culturalmente. Na América do Sul, esse marco tem encontrado um cenário político distinto, no qual os povos tradicionais emergiram como sujeitos coletivos mobilizados em torno de direitos, reivindicações territoriais e concepções ampliadas de cidadania. Este artigo examina como a codificação da “tradição”, de uma categoria identitária para um termo regulatório da saúde, reconfigura as condições sob as quais a diferença pode ser expressa, reivindicada e sustentada. Com base em pesquisa documental realizada em 10 países sul-americanos, bem como em documentos da OMS e das Nações Unidas, o estudo analisa como esse marco global foi incorporado, ressignificado ou deslocado em diferentes contextos nacionais. A análise revela um espectro de arranjos regulatórios nos quais a incorporação institucional e a força política da diferença coletiva não são necessariamente proporcionais, variando desde marcos que dialogam com os projetos políticos por meio dos quais os povos tradicionais têm buscado redefinir a cidadania até aqueles em que a “tradição” opera como um critério de autorização de mercado desvinculado dos sujeitos que a sustentam. A codificação da tradição em categorias passíveis de governança não apenas estende reconhecimento àqueles que a portam; ela reconfigura os termos sob os quais esses grupos podem atuar como sujeitos políticos.
Fonte: Health and Human Rights Volume 28 Number 1





