A Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) realizou, no dia 13 de março, o evento “CP Debate – Disciplinas compartilhadas na pós-graduação: experiências, desafios e possibilidades”, transmitido ao vivo pelo canal da entidade no YouTube e disponível na íntegra abaixo. A atividade com mediação de Olivia Cristina Perez (UFPI/ABCP/INCT Participa) e participação de Euzeneia Carlos (UFES/INCT Participa), Carla Almeida (UEM/INCT Participa) e Soraia Marcelino Vieira (UFF/ABCP) discutiu um modelo emergente de ensino na pós-graduação brasileira: as disciplinas colaborativas ministradas por docentes de diferentes instituições.
A discussão partiu da normatização dos Processos Híbridos de Ensino e Aprendizagem (PHEA), instituída pela CAPES em dezembro de 2024. Esse modelo propõe a integração entre atividades presenciais e remotas, mediadas por tecnologias digitais e metodologias participativas.
Embora a combinação entre aulas síncronas e assíncronas tenha se intensificado durante a pandemia de Covid-19, os PHEA introduzem uma inovação ao consolidar práticas híbridas com interação simultânea entre ambientes físicos e virtuais. Segundo a professora Euzeneia Carlos, a grande novidade reside na integração simultânea entre os ambientes físico e digital, diferenciando-se da simples disponibilização de aulas gravadas em plataformas assíncronas.
Nesse contexto, o INCT Participa estreou em 2025 sua experiência com disciplinas colaborativas na pós-graduação: “Seminários temáticos da pós-graduação: participação, associativismo e confronto” (assista abaixo). A iniciativa teve como objetivo articular formação acadêmica, intercâmbio entre programas de pós-graduação e divulgação de pesquisas em desenvolvimento.
Conforme apontou Soraia Vieira, um grande motivador de engajamento é a oportunidade de os alunos terem aulas diretamente com suas "referências bibliográficas", humanizando o debate acadêmico. Ao todo, foram 59 estudantes matriculados na disciplina colaborativa do INCT Participa, distribuídos em seis programas, que a ofertaram de forma simultânea.
Entre as principais potencialidades destacadas pelas participantes do debate estão o fortalecimento da colaboração acadêmica, a ampliação da interação entre docentes e discentes de diferentes instituições e a possibilidade de compartilhamento de conteúdos e recursos educacionais. O formato também favorece a realização de bancas examinadoras com participação remota, o intercâmbio nacional e internacional e o desenvolvimento de pesquisas conjuntas.
Outro aspecto ressaltado foi a contribuição para a redução de desigualdades no acesso à educação superior de qualidade. Ao integrar programas com diferentes níveis de avaliação e localizados em diversas regiões do país, as disciplinas compartilhadas promovem maior equidade na formação acadêmica e fortalecem redes de pesquisa.
A experiência também evidencia avanços na interdisciplinaridade, ao reunir áreas como Ciência Política, Sociologia, Relações Internacionais e Saúde Coletiva. Além disso, a gravação e disponibilização das aulas em plataformas digitais contribuem para a popularização da ciência, formando um acervo que será incorporado à biblioteca digital do INCT Participa e disponibilizado ao público como aulas abertas.
Apesar dos avanços, o modelo ainda enfrenta desafios como a necessidade de maior integração entre os conteúdos das aulas, a heterogeneidade do perfil dos estudantes, as dificuldades na avaliação do aprendizado e as limitações de infraestrutura tecnológica. O excesso de tempo diante de telas e as dificuldades de engajamento social no meio digital também são obstáculos das interações em ambientes virtuais.
A garantia de acesso equitativo a equipamentos, internet e suporte técnico foi apontada como condição essencial para o sucesso das iniciativas.
A avaliação da experiência realizada ao final do curso do INCT Participa indicou resultados positivos e contribuiu para o aprimoramento do formato. Uma nova edição da disciplina colaborativa já está prevista para o segundo semestre de 2026, com foco no eixo do confronto político.





