O artigo “Plataformismo de coalizão como ciberativismo climático: uma perspectiva sociológica”, assinado por Frederico Salmi, Lorena Fleury e Ana Rivoir, foi premiado no I Concurso de Artigos Científicos da Cátedra OEI Elena Piscopia 2025. A iniciativa é financiada pela Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), em articulação com a Universidad de Granada, na Espanha.
O trabalho integra a I Coletânea de artigos inéditos da Cátedra, publicada em três eixos temáticos e lançada em parceria com a OEI, o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), o Grupo de Pesquisa Mulheres, Renda, Democracia e Justiça, a IndustriALL Brasil, o Observatório da Política no Nordeste (OPN) e a Universidad de Granada.
Inserido no eixo dedicado às novas tecnologias e mudanças sociais, o artigo foi desenvolvido no contexto da tese de doutorado “Futuros, imaginários e narrativas nas políticas de mudança climática no Brasil: fins e colapsos à luz do caso Observatório do Clima”, de Frederico Salmi, além de estar vinculado ao programa AmazonFACE (RA5) e ao INCT Participa.
A pesquisa analisa novas formas de ativismo climático mediadas por plataformas digitais. Com base em conceitos como metacoalizão, apropriação tecnológica e ciberativismo, os autores investigam arranjos sociotécnicos voltados ao monitoramento de diferentes formas de extrativismo na América Latina. Entre as iniciativas analisadas estão Amazônia em Pé, APIB, Coalizão Direitos na Rede, Coalizão Negra por Direitos, MapBiomas, Observatório do Carvão Mineral, Observatório do Clima e Observatório do Petróleo e Gás.
O estudo propõe o conceito de “plataformismo de coalizão” para compreender formas de ação coletiva que articulam produção de conhecimento, tecnologias digitais e mobilização política. Segundo Frederico Salmi, trata-se de uma forma de organização que reúne movimentos sociais, pesquisadores e outras organizações em torno da produção e sistematização de dados capazes de subsidiar intervenções no debate público e na formulação de políticas.
“É um tipo de ação coletiva que tem como foco a produção e a organização de dados em várias dimensões para que haja algum tipo de intervenção no plano político”, explica o pesquisador.
De acordo com Salmi, essas coalizões usam plataformas digitais para monitorar fenômenos como mineração, expansão agrícola, exploração de petróleo e gás, além de seus impactos sobre terras indígenas, territórios quilombolas e unidades de conservação. A produção de dados, relatórios, notas técnicas e manifestos compõe uma estratégia mais ampla de incidência política.
O artigo também dialoga com o conceito de metacoalizão, desenvolvido anteriormente por Salmi, Lorena Fleury e Mônica Dowbor, que descreve alianças entre redes de movimentos sociais e organizações atuando em diferentes escalas. Nesse contexto, as plataformas digitais funcionam não apenas como ferramentas tecnológicas, mas como espaços de articulação entre conhecimento científico, saberes ancestrais e ação política.
Para os autores, essas experiências representam novas formas de enfrentamento ao que denominam “extrativismo profundo”, caracterizado pela intensificação da exploração de recursos naturais e territórios. O plataformismo de coalizão surge, assim, como uma categoria analítica capaz de compreender os atores, conflitos e forças sociais envolvidos nas disputas contemporâneas em torno da transição energética e das mudanças climáticas.
Segundo Salmi, a construção do conceito é resultado da colaboração entre pesquisadores de diferentes núcleos vinculados ao INCT Participa. “Esse artigo é exatamente a cara do INCT”, afirma.





