Entre os dias 7 e 8 de abril, a Universidade de Brasília (UnB) sediou o seminário internacional “Fazer comum: participação, inclusão e inovações públicas e digitais”, que reuniu pesquisadores, gestores públicos,movimentos sociais, representantes da sociedade civil e organismos internacionais em torno do debate sobre novas formas de participação política mediadas por tecnologias digitais. Organizado pelo Resocie, que integra o INCT Participa, em parceria com outras instituições acadêmicas, o evento deu continuidade a uma agenda de pesquisas voltadas à relação entre sociedade e Estado, com foco no uso de plataformas digitais no Brasil.
Para a coordenadora do Resocie, Marisa Von Bülow, “o evento foi uma oportunidade ímpar para aprofundar o diálogo entre pesquisadores, gestores e sociedade civil. Em especial, possibilitou debater os resultados preliminares da pesquisa e coletar reações de um público diversificado e qualificado”.
Segundo ela, as discussões permitiram coletar críticas e sugestões de um público diverso, que devem ser incorporadas na sistematização final dos estudos. Um dos eixos centrais do evento foi a análise do uso da plataforma Brasil Participativo por grupos historicamente excluídos.
A professora Rayza Sarmento, coordenadora do Gcodes/UFPA, destacou que o seminário possibilitou compartilhar resultados de oficinas realizadas em diferentes regiões do país, incluindo Belém. As atividades reuniram movimentos sociais do campo e da cidade para avaliar a usabilidade da plataforma e discutir o papel do ambiente digital como espaço de participação política. Para a pesquisadora, os encontros evidenciaram tanto desafios práticos no uso da ferramenta quanto questões teóricas relevantes sobre o ativismo digital no Brasil.
As oficinas também foram destacadas por Marcelo Burgo Santos, do NESPP/UFPB, como espaços de escuta ativa e construção coletiva. De acordo com ele, uma das principais contribuições do processo foi a mobilização de participantes locais, em estados como Pará e Paraíba, para que pudessem testar a plataforma e relatar dificuldades concretas de uso. A proposta não era apenas apresentar a ferramenta, mas compreender como diferentes públicos interagem com ela e quais barreiras enfrentam.
“O evento em Brasília teve papel importante ao promover a devolutiva dos resultados das oficinas, permitindo comparar experiências regionais e identificar semelhanças e especificidades”, afirma Santos. Ele ressalta ainda que, embora o uso das plataformas digitais se concretize por meio de ações individuais, como um clique, essas interações são frequentemente resultado de processos coletivos, envolvendo comunidades e associações.
A programação também incluiu dinâmicas participativas que incentivaram a interação direta entre os presentes. Uma delas propôs rodas de conversa abertas, com cadeiras disponíveis para que participantes pudessem se integrar espontaneamente às discussões, contribuindo com ideias e reflexões. Para os organizadores, esse formato reforçou o caráter colaborativo do seminário e ampliou a diversidade de vozes.
Outro destaque foi o debate sobre o potencial das tecnologias digitais para ampliar a participação política. Surgiram propostas para expandir o uso da plataforma Brasil Participativo para diferentes níveis de governo, como estados e municípios, especialmente em contextos com menos recursos. A ideia, segundo os pesquisadores, é fortalecer mecanismos de participação que sejam acessíveis, integrados e capazes de transformar contribuições cidadãs em políticas públicas efetivas .
O seminário internacional evidenciou a importância de compreender a participação digital para além do individualismo, reconhecendo seu caráter coletivo e sua capacidade de gerar comunidades políticas. Também destacou a relevância do diálogo entre os estudos sobre participação e os debates sobre o comum, contribuindo para ampliar as abordagens teóricas e práticas sobre o tema.





