Eixos, Temas e Projetos

O presente projeto visa analisar as posições (políticas e epistemológicas) que a Sociologia, enquanto discurso, tem ocupado e representado nos estudos brasileiros sobre as mudanças climáticas, especialmente a partir do cenário de pesquisas interdisciplinares que se impõe às investigações sobre tal temática.

Participantes (Núcleo)

TEMAS/UFRGS: Gabriel Bandeira Coelho.

No agronegócio sojicultor brasileiro, arranjos corporativos de governança ambiental – certificações, acordos ou colaborações entre corporações – são iniciativas que prometem tornar o fornecimento mais “sustentável” e que emergem a partir de críticas que vinculam a produção de commodities a problemas ambientais diversos. Uma crescente literatura das Ciências Sociais tem apontado para a necessidade de se desenvolver abordagens que deem conta da complexidade de atores, práticas e tecnologias em cadeias agroalimentares e destacando que a produção de informação tem se tornado uma nova forma de governo. Observa-se que formas corporativas de governança ambiental na cadeia da soja no Brasil acionam uma diversidade de normas, métricas e formas de reportar publicamente a performance ambiental de empresas, o que resulta em múltiplas formas de performar o que seriam os principais problemas ambientais contemporâneos e de definir o que seria “sustentabilidade”. Assim, interessa entender como arranjos corporativos de governança ambiental operam na cadeia da soja, quais concepções de “sustentabilidade” são agenciadas por tais arranjos e como se configuram as disputas acerca dos modos de governança ambiental no setor agroalimentar.

Participantes (Núcleo)

SOPAS/UFRGS: Marília Luz David (coordendadora); Alessandra Lamana; Angela Camana, Estela Vitório Pires; Kerolen Daiana de Oliveira Kingeski; Aurora Arteche do Amaral; Rafael Teixeira de Abreu

 

Este projeto de pesquisa examina o impacto das posturas negacionistas na crise sanitária causada pela COVID-19 no Brasil, exacerbada por conflitos entre o governo federal e outras esferas de poder. Além do governo, tais ideias encontram eco em segmentos da sociedade organizada. Inspirando-se em autores como N. Oreskes, o estudo propõe uma sociologia dos ataques às instituições científicas, definindo o negacionismo como ações coordenadas para descredibilizar resultados científicos. Também analisamos como instituições no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul têm enfrentado desastres pandêmicos ou climáticos. A justificativa do projeto está na interconexão entre democracia e ciência, abordando o uso populista da ciência, especialmente por ideólogos de extrema-direita. Em um contexto de crescente populismo científico, sugerimos que as universidades precisam equilibrar sua autoridade com a necessidade de responder a críticas legítimas.

Participantes (Núcleo)

NDAC/Cebrap: José Szwako.

A pandemia de COVID-19 foi não só uma crise sanitária, mas também uma crise política, marcada pela politização da própria pandemia. A postura negacionista do governo Bolsonaro, que se recusou a implementar uma estratégia coordenada contra o vírus, acirrou esse cenário. Este projeto de pesquisa busca entender como a sociedade civil organizada reagiu à recusa do Estado em enfrentar a crise de maneira adequada. A pesquisa será orientada pela seguinte pergunta: como a sociedade civil brasileira respondeu ao contexto de uma extrema direita negacionista e disseminadora de desinformação durante a pandemia? Nossa abordagem considera quatro linhas de análise inter-relacionadas: a) a mobilização intensa de ajuda solidária nos meses iniciais da pandemia; b) iniciativas de advocacy focadas em garantir leis e políticas públicas que ajudassem a população a se proteger do vírus; c) a mobilização online durante a CPI da Covid; e d) a luta de um conjunto de redes sobrepostas em prol dos direitos das vítimas da doença e seus familiares. Para explorar essas dinâmicas, analisamos as mudanças nas táticas e nos enquadramentos dos movimentos sociais que surgiram em defesa das vítimas da pandemia. Propomos um desenho de pesquisa com métodos mistos, visando comparar as diferentes formas de mobilização ao longo do período crítico da pandemia, bem como no período pós-pandemia.

Participantes (Núcleo)

RESOCIE/UNB: Amanda Barcelos Mota, Amanda Maciel Matos, Ana Carolina Vaz da Silva, Gabriel Santos Elias, Lorena Vilarins dos Santos, Maria Eduarda Batalha Lima, Mariana de Souza Fonseca, Mariana Miranda Tavares, Pedro Burity Borges, Rafael Rocha Viana, Rebecca Neaera Abers; Marisa von Bülow

Este projeto objetiva analisar as recentes reconfigurações da organização e ação dos movimentos sociais e seus repertórios de ação e interação com o Estado, em um contexto marcado por iniciativas de reconstrução institucional de políticas e instrumentos de políticas públicas em nível nacional, e de disputas e conflitos nos níveis subnacionais. Para isso, focamos tanto no nível nacional como nos níveis estadual e municipal no Nordeste,  buscando compreender a inter-relação entre esses diferentes níveis de ação, organização e disputa e os processos de política pública nos quais se inserem os atores movimentalistas.

Participantes (Núcleo)

NESPP/UFPB: Carlos Eduardo de Lima Correia, Fernanda Maria Negromonte de Santana, Ingrid Raissa Guerra Lins, Lizandra Serafim.

A presente pesquisa tem como principal intuito (i) compreender como se deu a dinâmica das disputas entre movimentos e contramovimentos nos ativismos de mulheres no Brasil e suas interações com o Estado brasileiro em suas diferentes configurações relacionais, e (ii) como as ativistas avaliam sua incidência face aos resultados alcançados. Mais especificamente, busca-se captar as estratégias, agendas e respostas dos movimentos feministas e antifeministas em relação aos direitos das mulheres, considerando tanto seus avanços, em uma perspectiva emancipadora, quanto seus “refluxos” tendo em vista o acirramento do neoconservadorismo e a crise da democracia no Brasil, que se intensificou com o golpe parlamentar em 2016 e, desde então, tem promovido diversos retrocessos nas políticas que visam a igualdade de gênero. Para realizar essa ampla investigação, que conta com diferentes frentes de pesquisa, serão empreendidas i) revisão bibliográfica; ii) coleta de materiais formulados por organizações da sociedade civil; iii) coleta de materiais jornalísticos relacionados a protestos de mulheres, para se somar ao LA PROTESTA, um banco de dados sobre protestos no Brasil; iv) análise quantitativa e qualitativa (Análise de Evento de Protesto) do levantamento de dados do LA PROTESTA; v) entrevistas de roteiro semiestruturado com ativistas feministas e antifeministas; e vi) análise interpretativa dessas entrevistas.

Participantes (Núcleo)

NEPAC/UNICAMP: Isabella Assunção de Oliveira Andrade, Luana Loureiro Cruz, Maria Luiza Costa Sobreira, Luciana Ferreira Tatagiba

A partir da análise de eventos de protestos busca-se compreender as conexões entre a política das ruas e a política institucional, a partir da análise das relações entre protestos, regimes e oportunidades políticas. As variáveis utilizadas (atores, repertórios, demandas, alvo, abrangência e nível de conflituosidade do protesto) permitirão ainda uma radiografia inédita das mobilizações no Brasil e suas transformações ao longo de 22 anos (2000 a 2022). A pesquisa se baseia em um inédito banco de dados de eventos de protestos no Brasil, a partir das informações publicadas pelo jornal Folha de São Paulo. O projeto de pesquisa parte de um banco já existente (Tatagiba e Galvão, 2019; Tatagiba & Carvalho, 2024), agora ampliando a cobertura dos protestos reportados pela imprensa para os anos de 2000 a 2009.

Participantes (Núcleo)

NEPAC/UNICAMP: Gabriela Taboni Lisboa, Jordy Pereira Melo, Larissa Pereira de Melo, Leonardo Xavier Nascimento, Luciana Ferreira Tatagiba, Natália de Jesus Trindade, Wellynton Samuel Oliveira de Souza.

Desde as jornadas de junho de 2013, a política brasileira é sacudida por reviravoltas. A cena de ativismo anteriormente dominada pela esquerda se tornou mais plural, com o fortalecimento de movimentos sociais à direita. Mudanças abruptas na coalização política com o impeachment e a eleição de um governo de extrema direita em 2018 foram ganhos deste ativismo. A pandemia da Covid-19 sacudiu ainda mais a vida política, agora em torno de intensa contestação sobre como responder à crise sanitária. Este projeto é orientado pela seguinte pergunta: qual a relação entre esta sequência de crises políticas e as reconfigurações do ativismo político no Brasil? A nossa resposta parte da proposta de que essas reconfigurações estão imersas em três processos interrelacionados: a) mudanças na coalização política que marginalizam alguns atores, e empoderam outros; b) mudanças na organização dos subsistemas de política pública nos quais os ativistas estão inseridos; c) um processo de contestação ideacional acerca da crise política e da própria democracia. Os ativistas ao mesmo tempo disputam este sentido e são afetados pelos sentidos já construídos. Para explorar estas dinâmicas de contestação ideacional e de reconfiguração ativista, analisamos as mudanças de estratégias, repertórios e enquadramentos de atores que interagem com sistema político, em torno de três embates especialmente contenciosos no período atual: desmatamento, direitos reprodutivos e sexuais, o combate à pandemia de Covid-19. Propomos um desenho de pesquisa baseado em métodos mistos que buscarão comparar os processos de mudança em torno destes três temas ao longo dos últimos 10 anos.

Participantes (Núcleo)

RESOCIE/UNB: Amanda Barcelos Mota, Amanda Maciel Matos, Ana Carolina Vaz da Silva Anne Karoline Rodrigues Vieira, Débora Rezende Almeida, Gabriel Santos Elias, Gustavo Rodrigues Mesquita, Lorena Vilarins dos Santos, Lucas Souza Lacerda Mariana de Souza Fonseca, Mariana Miranda Tavares e Marina Ferreira de Araujo Fernandes, Pedro Burity Borges, Rafael Gonçalves De Toni, Rafael Rocha Viana, Rebecca Neaera Abers.

Visando novas abordagens analíticas e métodos de pesquisa que permitam analisar os coletivos, a pesquisa analisará a sua dimensão organizacional (nível de organização, estrutura financeira etc.), as táticas de ação e de mobilização política (repertórios de ação e de interação etc.) e as experiências de socialização (repertório de acolhimento).

Participantes (Núcleo)

NUPAD/UFES: Marcelo de Souza Marques, Isabela Kerner de Melo, Mayara Piassi Gaburro.

Analisa as consequências de movimentos sociais nas políticas públicas e nas instituições e os efeitos culturais no ativismo da sociedade civil no contexto de democratização.

Participantes (Núcleo)

NUPAD/UFES: Euzeneia Carlos, Andrei Sarcineli Pimenta, Daniela Neves de Oliveira, Daniela Rosa de Oliveira, Gabriela Zorzal, Alexsander Fonseca Araújo, Jeferson Margon, Luciane Aparecida Bolda, Alexsander Fonseca Araújo, Nara Mascarenhas Barbosa, Paula Ferrario Traba, Veronica Cunha Bezerra.

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