Eixos, Temas e Projetos

O projeto tem como enfoque o estudo e a divulgação de trajetórias de engajamento militante, se desdobrando em iniciativas de divulgação científica e de pesquisa acadêmica. Do ponto de vista da divulgação científica, o projeto tem como objetivo produzir e registrar em meio audiovisual relatos de histórias de vida e ativistas do Rio Grande do Sul com enfoque nas suas trajetórias de engajamento e, eventualmente, desengajamento. A primeira temporada foi publicada integralmente no canal do projeto no YouTube, tendo como tema os ativismos feministas e de mulheres. Já do ponto de vista da pesquisa acadêmica, o projeto propõe uma análise dos processos de engajamento militante das entrevistadas em diálogo com a literatura sobre o tema. De forma transversal à análise dos processos de engajamento militante, articularemos três outros eixos de análise relativos: a) ao papel da memória nesses processos; b) à influência da religião no engajamento militante; c) e aos conflitos e alianças intergeracionais entre ativistas. Em todos os casos, os temas serão investigados a partir do método da história oral.

Participantes (Núcleo)

GPACE/UFRGS: Matheus Mazzilli Pereira, Marcelo Kunrath Silva, Elizabteh Azevedo, Amanda Mesquita Goldani, Clara Willadino Verardi, Fernanda Daitc de Freitas Camargo, Lívia Santos de Lima, Luan Homem Belomo, Giovanna Zocca, Thales Braz Bueno Borges

A crise climática é um fenômeno que afeta desigualmente os grupos sociais, sobretudo as minorias políticas. Uma série de estudos têm mostrado o impacto interseccional do clima na vida das mulheres, responsáveis majoritariamente pelo cuidado de crianças e idosos (Staggenborg; Togami, 2022; Terry, 2009; Zape, 2023). As estruturas de poder e decisão sobre mudanças climáticas também repetem a sub-representação feminina da política e são majoritariamente ocupadas por homens, de acordo com os dados do Grupo de Trabalho Gênero e Clima. No contexto da realização da COP 30 no Pará, esta pesquisa busca compreender como a discussão política sobre desigualdade climática com viés de gênero e suas interseccionalidades tem sido pautada na Amazônia, a partir das seguintes perguntas: como essa relação foi encampada no legislativo nos estados da Amazônia Legal? Há projetos de leis que atentem à dimensão generificada das mudanças climáticas? Como se articulam as organizações de mulheres com foco na justiça climática?

Participantes (Núcleo)

UFPA/GCODES: Rayza Sarmento, Evellyn Damasceno, Diego Coelho, Helena Saria, Kamila Leal.

Este projeto de pesquisa se volta às interações socioestatais estabelecidas por movimentos feministas
paraenses, em especial os que atuam na capital do estado. Interessa-nos compreender as estratégias e
repertórios de ação do movimento
organizado (em suas múltiplas faces e conformações) junto da sociedade e Estado. A pesquisa se ancora em abordagem qualitativa e interpretativa, a partir de três eixos.
O primeiro é compreender a coleta e análise da mídia tradicional paraense, tais como os jornais O Liberal
e Diário do Pará, a partir de reportagens sobre a atuação dos grupos feministas no estado. Em seguida,
procederemos à análise das páginas de redes sociais específicas desses grupos, em plataformas como
Facebook e Instagram. Ambas as dimensões serão observadas a partir de análise de enquadramento. Elas ajudarão a compreender como o movimento constrói suas próprias interpretações e
referências e a forma como os meios tradicionais de comunicação paraenses nomeiam atrizes, enquadram 
reivindicações e constroem quadros de sentido. Buscaremos ainda acompanhar os atos públicos
 promovidos pelos movimentos e realizar entrevistas em profundidade, com atrizes políticas responsáveis 
pelas organização e mobilização dos eventos e grupos.

Participantes (Núcleo)

UFPA/GCODES: Rayza Sarmento, Evellyn Damasceno, Diego Coelho, Helena Saria, Kamila Leal.

Este projeto de pesquisa tem como objetivo principal compreender como os movimentos sociais agrários estão incluindo a pauta das mudanças climáticas em suas estratégias de mobilização das lutas pela terra e pelos territórios. Trata-se de analisar as narrativas, os discursos e as ações coletivas que buscam articular a questão agrária e a questão ambiental. O referencial teórico está pautado no pensamento social crítico latino-americano, tendo como base os debates no campo das ciências sociais e da geografia. Mobilizamos a perspectiva da ecologia política para articular teoria e ação política. Metodologicamente, trabalharemos com entrevistas semi-estruturadas com representantes de movimentos agrários, análise de notícias e redes sociais (Instagram, Facebook), além de documentos disponibilizados pelos próprios movimentos. Além disso, propomos a realização de trabalhos de campo, a serem definidos para explorar com maior profundidade essas questões a partir de observação participante. O projeto também busca contribuir para a elaboração de políticas públicas para um desenvolvimento rural sustentável, desde a perspectiva dos sujeitos que vivenciam seus territórios, entendendo a produção do conhecimento por parte dos movimentos, seus imaginários e práticas sociais.

Participantes (Núcleo)

UFRN/LABRURAL: Joana Moura, Marcos Aurélio Freire da SIlva Júnior, Bruna Torquato

No agronegócio sojicultor brasileiro, arranjos corporativos de governança ambiental – certificações, acordos ou colaborações entre corporações – são iniciativas que prometem tornar o fornecimento mais “sustentável” e que emergem a partir de críticas que vinculam a produção de commodities a problemas ambientais diversos. Uma crescente literatura das Ciências Sociais tem apontado para a necessidade de se desenvolver abordagens que deem conta da complexidade de atores, práticas e tecnologias em cadeias agroalimentares e destacando que a produção de informação tem se tornado uma nova forma de governo. Observa-se que formas corporativas de governança ambiental na cadeia da soja no Brasil acionam uma diversidade de normas, métricas e formas de reportar publicamente a performance ambiental de empresas, o que resulta em múltiplas formas de performar o que seriam os principais problemas ambientais contemporâneos e de definir o que seria “sustentabilidade”. Assim, interessa entender como arranjos corporativos de governança ambiental operam na cadeia da soja, quais concepções de “sustentabilidade” são agenciadas por tais arranjos e como se configuram as disputas acerca dos modos de governança ambiental no setor agroalimentar.

Participantes (Núcleo)

SOPAS/UFRGS: Marília Luz David (coordendadora); Alessandra Lamana; Angela Camana, Estela Vitório Pires; Kerolen Daiana de Oliveira Kingeski; Aurora Arteche do Amaral; Rafael Teixeira de Abreu

 

Esse projeto analisa os usos e as mobilizações da ciência na formulação de uma estrutura de governança institucional na política climática brasileira, tendo como foco os instrumentos de política pública federal direcionados ao enfrentamento das mudanças climáticas no Brasil. Alinhado com discussões dos Estudos Sociais de Ciência e Tecnologia, especialmente sobre as coproduções entre ciência, sociedade e natureza, e a literatura sobre Estado e políticas públicas, as demarcações entre ciência, ativismo institucional e ambientalismo na política climática brasileira são o objeto desse projeto. Metodologicamente, a análise proposta sustenta-se em pesquisa de campo apoiada por entrevistas, observação direta e análise documental. Em um primeiro momento, propõe-se um levantamento sistemático dos instrumentos que compõem a política climática brasileira contemporânea no âmbito federal. Esse levantamento irá subsidiar análise documental a respeito do conteúdo dessa legislação, identificando-se usos e mobilizações de conceitos científicos nestes instrumentos. Permitirá, ainda, a análise da rede sociotécnica na qual os instrumentos estão inseridos, identificando-se pontos de mediação (estudos, documentos, órgãos de governo, organizações da sociedade civil) centrais para sua formulação e implementação. A partir daí, propõe-se a realização de entrevistas e atividades de observação direta, visando compreender os agenciamentos, interesses e disputas estabilizados ou contestados ao longo da estrutura de governança identificada em torno das políticas de enfrentamento às mudanças climáticas no Brasil. Em termos de resultados, espera-se contribuir no entendimento de qual o lugar da ciência na formulação de políticas climáticas no Brasil; como cientistas se apresentam diante do campo de formulação de políticas públicas; quais as controvérsias e conflitos existentes em torno das políticas climáticas; como e por quem a ciência é mobilizada nessas controvérsias e conflitos.

Participantes (Núcleo)

TEMAS/UFRGS: André Trevisol Trindade, Camila Cabrera, Camila Delagnese Prates, Frederico Salmi, Lásaro Thiesen, Lorena Cândido Fleury.
GPACE/UFRGS: Gerson de Lima Oliveira, Luan Homem Belomo.

O presente projeto visa analisar as posições (políticas e epistemológicas) que a Sociologia, enquanto discurso, tem ocupado e representado nos estudos brasileiros sobre as mudanças climáticas, especialmente a partir do cenário de pesquisas interdisciplinares que se impõe às investigações sobre tal temática.

Participantes (Núcleo)

TEMAS/UFRGS: Gabriel Bandeira Coelho.

Em sintonia com a agenda global dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, é crescente o interesse de pesquisadores, movimentos sociais e policymakers pela discussão sobre estratégias de transição para sistemas alimentares sustentáveis e saudáveis. Uma das questões centrais nesse debate diz respeito às contribuições que os ativismos alimentares de movimentos sociais rurais e urbanos podem aportar para uma nova geração de políticas públicas. No Brasil, esse tema ganhou ainda mais relevância em face do aumento da insegurança alimentar, o que forçou esses movimentos a ampliar e diversificar as estratégias econômicas de acesso à alimentação sustentável e saudável. Com vistas a contribuir para essa discussão, o projeto articula uma rede de pesquisadores que pretende responder a seguinte questão de pesquisa: em que medida as estratégias de ativismo alimentar desses movimentos sociais convergem para um referencial capaz de orientar a construção de uma nova geração de políticas alimentares? A hipótese que orienta a investigação indica uma confluência em torno de um referencial que associa alimentação saudável com justiça alimentar e ambiental. Essa conjectura será verificada a partir de uma análise comparada das estratégias de ativismo alimentar nas regiões metropolitanas de Belém, Manaus, Natal, São Luís, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Essas capitais foram selecionadas a partir de três critérios: diferentes dinâmicas regionais; trajetória histórica dos ativismos e políticas alimentares; e expertise acumulada pela equipe em pesquisas anteriores. A análise comparada será construída a partir da construção de uma matriz analítica formada por variáveis e indicadores comuns a todos os casos. Para construir essa matriz, e contribuir com a execução e divulgação dos resultados, o projeto também contará com a colaboração do grupo de pesquisa Food for Justice, da Universidade Livre de Berlim/Alemanha, e do Laboratório Urbano de Políticas Públicas Alimentares (Luppa) vinculado ao Instituto Comida do Amanhã.

Participantes (Núcleo)

SOPAS/UFRGS: Paulo André Niederle (coordenador); Maycon Noremberg Schubert; Luíza Tavares; Vitória Giovana Duarte; Marília Luz David; Liége Disconzi Rodrigues; Pamela Kenne; Eduarda Paz Trindade; Julia Menin; Natália Vencato de Paula; Renata Campos Motta; Ângela Camana

Atualmente a disputa territorial no campo tem se intensificado em diversos países da América Latina, incluindo o Brasil, mediante a persistente colonialidade que afeta nossos processos históricos. Os movimentos sociais têm buscado criar contranarrativas e estratégias emancipatórias como formas de resistência e de reinvenção de suas territorialidades. Dialogando com a ecologia politica e com a literatura dos movimentos sociais, a pesquisa busca compreender as dinâmicas dos movimentos sociais frente às investidas do capitalismo agrário no Brasil, especialmente relacionadas a pauta ambiental e da soberania alimentar. Busca-se trazer a dimensão ambiental e da alimentação como eixo central de análise, ou seja, como esses movimentos constroem e se apropriam do debate da natureza e do meio ambiente na defesa dos seus territórios e pautam a soberania alimentar? Que estratégias e narrativas utilizam? Buscamos compreender as disputas pelos sentidos sobre a apropriação dos territórios, evidenciando as relações e as dinâmicas da conflitualidade no que tange à dimensão ambiental.

Participantes (Núcleo)

Labrural/UFRN: Joana Moura, Marcos Aurélio Freire da SIlva Júnior, Bruna Torquato, Leandro Vieira

O debate acerca da questão agrária no Brasil configura-se como central para compreender as dinâmicas territoriais e ambientais decorrentes de diferentes processos de uso da terra e da natureza, de modo que revelam distintos projetos de desenvolvimento para o campo e distintas relações sociais de produção, permeadas por conflitos e conflitualidades. Isso tem implicado na formação e na atuação de movimentos socioterritoriais que disputam territórios e produzem resistências que incidem diretamente na formulação e implementação de políticas públicas de desenvolvimento rural de modo a garantir melhores condições de vida no campo. Para tanto, busca-se realizar um conjunto de pesquisas centradas em apreender as múltiplas relações estabelecidas entre questão agrária, movimentos socioterritoriais e políticas públicas, a considerar as escalas, as ações e os repertórios decorrentes desse processo.

Participantes (Núcleo)

Labrural/UFRN: Leandro Cavalcante, Joana Moura, Matheus Gomes

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