Autoras:
Patricia Kunrath Silva (GIFE)
Ivone dos Passos Maio (FURG)
Resumo:
Nas últimas décadas, os debates sobre o papel da filantropia na promoção da justiça social, desafiando práticas tradicionais que frequentemente perpetuam o status quo, estão presentes no campo. Nesse contexto, a abordagem da filantropia de justiça (justice philanthropy) tem ganhado destaque, propondo enfrentar as causas estruturais das desigualdades sociais, econômicas e raciais por meio do apoio a movimentos sociais e a políticas públicas transformadoras. Tais discussões não se restringem à academia, mas também mobilizam agentes no campo prático, entre os quais se destaca, no Brasil, o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE), associação sem fins lucrativos que reúne cerca de 160 organizações filantrópicas. Diante desse cenário, este artigo investiga como lideranças e organizações associadas ao GIFE se posicionam em relação aos princípios da filantropia de justiça. Para tanto, combina uma revisão crítica da literatura sobre filantropia tradicional, com ênfase na filantropia de justiça, com análise empírica de dados qualitativos e quantitativos. Os resultados indicam que a filantropia institucional no Brasil permanece concentrada na região Sudeste, tem perfil predominantemente empresarial e adota práticas de governança ainda pouco permeáveis a políticas de diversidade, equidade e inclusão. Embora o grantmaking (repasse de recursos a terceiros) ainda não seja dominante, sua promoção no campo vem crescendo, especialmente por meio de novos atores como os Fundos Independentes, surgidos nos anos 2000. Por fim, cabe destacar que, apesar do discurso progressista veiculado nos materiais públicos do GIFE, a adesão efetiva a práticas alinhadas com a filantropia de justiça permanece limitada e desigual entre seus associados.
Fonte: Journal of Philanthropy





