Memórias da Participação

Céli Pinto

O INCT Participa publica o terceiro texto da série “Memórias da Participação”, com relatos de pesquisadoras e pesquisadores que são referências no campo dos movimentos sociais e da participação social no Brasil. Já foram homenageados neste espaço Maria da Glória Gohn e Renato Raul Boschi.  

 

Foto: Mário Agra/Câmara dos DeputadosCéli Regina Jardim Pinto

Formação: História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mestrado e doutorado em Ciência Política pela University of Essex (Inglaterra)

Áreas de pesquisa: movimentos sociais, com foco em feminismo

Carreira docente: Departamento de Ciência Política e no Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da UFRGS

Principais obras: "Uma História do Feminismo no Brasil" (2003); Teorias Da Democracia - Diferenças e Identidades Na Contemporaneidade (2004); “Tempos e Memórias – Histórias de Mulher” (2021)

                                                                                                                                        

  

 ★

A historiadora Céli Pinto é referência quando o assunto é o desenvolvimento do feminismo no Brasil e no exterior. Seu engajamento como militante do movimento feminista aconteceu no início da década de 1980, na Inglaterra, onde ela ela morou por quatro anos, como aluna de doutorado na Universidade de Essex. Saindo de um ambiente profundamente marcado pela luta contra a ditadura, em que a militância feminista era vista como diversionismo, ela encontru na Europa e no Reino Unido uma grande efervescência do movimento na sociedade e na condição das mulheres na academia, onde disciplinas e seminários já eram ministrados sobre a opressão da mulher. 

Seu primeiro engajamento no movimento não foi acadêmico. "Éramos um grupo de mulheres latino-americanas que estudavam na universidade, mas havia outro, de mulheres latino-americanas, companheiras ou esposas de estudantes de doutorado. No primeiro grupo, éramos mulheres de vários países, com ideias feministas e uma vontade de construir algo que tornasse possível aproximar as outras mulheres dos temas que nos ocupavam, já que elas se encontravam, na maioria das vezes, bastante isoladas, até por questões relacionadas ao idioma. Começamos a nos reunir nas sextas-feiras, na universidade. Nossa proposta era discutir todos os assuntos levados por qualquer uma de nós. Não havia hierarquia, nem liderança, nem pretensões acadêmicas de fazer discussões teóricas. Muitas vezes, mulheres que nunca tinham falado em público eram ouvidas e colocavam questões importantes para todas. Começamos a escrever um folheto, onde noticiávamos nossas atividades. Conseguimos ser reconhecidas como sociedade pela universidade e fundamos a Latin America Women Society. Passamos a ter espaço próprio e um pequeno orçamento. Chegamos a ser capa do jornal da universidade", conta.

De volta ao Brasil após sua formação, ingressou como docente no Departamento de Ciência Política da UFRGS, onde teve papel decisivo na criação e fortalecimento de linhas de pesquisa sobre cultura política, democracia e feminismos. Ao longo de décadas dedicadas ao ensino e à pós-graduação, orientou dezenas de mestrados e doutorados, formando pesquisadoras e pesquisadores que hoje atuam em universidades e centros de pesquisa em todo o país. Sua atuação docente marcou profundamente a institucionalização dos estudos feministas e das pesquisas sobre participação política no Brasil.

No texto “1980 – a década que não terminou”, Céli Pinto rememora esta trajetória:

“A década de 1980 foi muito importante para o feminismo brasileiro. Nela, instituiu-se o Conselho Nacional da Condição da Mulher, em 1985, com atuação forte pela defesa das demandas das mulheres na Constituinte de 1987-1988. Tive oportunidade de acompanhar de perto essas atividades, participei de reuniões em Brasília e do grande encontro de mulheres de todo o Brasil, que lançou a Carta das Mulheres aos Constituintes.”

Leia a íntegra neste PDF.

Céli Pinto também concedeu longa entrevista ao projeto "Histórias de Ativismo", do GPACE, núcleo integrante do INCT Participa. Está imperdível. 

NEWSLETTER

LOGO INCT PARTICIPA

Contatos

Endereço: FFLCH USP - Rua do Lago, 717 Butantã, São Paulo - SP, 05508-080

E-mail: inctparticipa@gmail.com

FINANCIAMENTO

Image
Image

SUPORTE INSTITUCIONAL

Image
Image