A pesquisadora do INCT Participa Euzeneia Carlos, coordenadora do Núcleo Participação e Democracia (NUPAD), da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), publicou o artigo “Protestos de gênero, backfire e extrema direita no Brasil” na revista Desde el Sur, da Universidad Científica del Sur, do Peru. O trabalho analisa as dinâmicas de reação dos movimentos feministas e de mulheres diante de estratégias repressivas da extrema direita no Brasil, considerando o contexto do impeachment de Dilma Rousseff e dos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro.
A pesquisa examina os protestos realizados entre 2015 e 2022, buscando compreender como episódios de repressão e ameaças aos direitos das mulheres podem desencadear reações públicas de indignação, processo denominado backfire. Para isso, a autora utiliza a Análise de Eventos de Protestos, a partir de notícias da imprensa, complementada por 14 entrevistas com ativistas, conselheiras do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM) e gestores públicos.
O estudo identificou 162 protestos e 274 eventos de protesto no período analisado. Entre os principais temas das mobilizações estão os direitos das mulheres, a violência contra a mulher, o estupro e o aborto. Os dados também apontam três momentos de maior intensidade dos protestos: 2016, 2017 e 2019, relacionados, respectivamente, ao processo de impeachment de Dilma Rousseff, às medidas do governo Temer e à ascensão de Jair Bolsonaro à Presidência da República.
Entre os resultados, Euzeneia demonstra que as reações à repressão não se restringiram à intensificação das manifestações. Os processos de backfire também contribuíram para transformações no ativismo feminista, com a ampliação das pautas de gênero, a intensificação de repertórios de ação extrainstitucionais e o surgimento de formatos organizacionais inovadores.
O artigo destaca ainda que essas reações podem ocorrer não apenas diante de ações violentas do Estado, mas também em resposta a formas mais sutis de repressão, como a deslegitimação de pautas, a intimidação e a violência simbólica. Além disso, os episódios que desencadeiam essas dinâmicas podem partir tanto de autoridades públicas quanto de contramovimentos sociais antigênero e antifeministas.
Publicado no volume 18, número 4, da revista Desde el Sur, o artigo está disponível aqui.





