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Evento organizado pelo Nepac deu à extensão universitária o destaque que ela merece
Seminário discutiu desafios da curricularização da extensão e defendeu práticas construídas de forma colaborativa entre universidade e sociedade
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Evento organizado pelo Nepac deu à extensão universitária o destaque que ela merece

 O seminário “Extensão Universitária com Coletivos e Movimentos Sociais: Práticas e Construção de Vínculos”, realizado nos dias 7 e 8 de maio no Auditório Marielle Franco, no IFCH da Universidade Estadual de Campinas, reuniu pesquisadores, docentes e extensionistas de diferentes universidades brasileiras para discutir o papel da extensão universitária em diálogo com movimentos sociais, coletivos e organizações populares.

O encontro, organizado pelo Núcleo de Pesquisa em Participação, Movimentos Sociais e Ação Coletiva (NEPAC/Unicamp), propôs reflexões sobre práticas extensionistas construídas com os sujeitos coletivos e voltadas para a transformação social. Ao longo da programação, os debates enfatizaram a necessidade de pensar a extensão como parte central da produção de conhecimento e da relação entre universidade e sociedade.

"A gente queria discutir metodologias, práticas e desafios de fazer extensão universitária com movimentos sociais e sujeitos coletivos. A gente sabe que tem especificidades, porque esses sujeitos têm suas expectativas, sua forma de organização, ao mesmo tempo a universidade tem sua forma de funcionar, de fazer a extensão", diz Ana Cláudia Teixeira, co-coordenadora do NEPAC e à frente da organização do evento.

 

Vice-coordenador do INCT Participa e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Marcelo Kunrath Silva, do GPACE, destacou a importância de fortalecer a extensão dentro da universidade. “Quando a gente pensa no tripé ensino, pesquisa e extensão, tradicionalmente a extensão teve uma posição secundarizada”, afirmou.

Para Marcelo, um dos pontos centrais do seminário foi discutir “que extensão se quer”, defendendo práticas construídas junto às organizações e movimentos sociais, com protagonismo desses sujeitos coletivos no desenvolvimento das ações extensionistas.

As discussões também ressaltaram a extensão como ponto de partida para a produção do conhecimento acadêmico. Professor da Universidade Federal da Paraíba, Pedro Cruz avaliou que o encontro possibilitou a troca de experiências e reflexões sobre os desafios contemporâneos da extensão universitária.

“A extensão efetivamente é o ponto de partida da ação universitária e da construção do conhecimento”, afirmou. Segundo Pedro, o contato da universidade com diferentes territórios e realidades sociais deve acontecer “não para ensinar nada para quem vive naquela realidade, mas para aprender e se colocar com as pessoas nessa construção compartilhada de saídas e soluções”.

 Integrante do Nepac e professora do Departamento de Antropologia da Universidade Estadual de Campinas, Stella Paterniani destacou os debates sobre diferentes concepções de extensão universitária realizados durante o primeiro dia do seminário. Segundo ela, as mesas discutiram “a extensão popular, a educação popular, a extensão comunitária, a extensão como prática de liberdade em oposição a uma extensão bancária ou uma extensão para o capital”. Para a pesquisadora, o encontro permitiu avançar na reflexão sobre “a concepção de extensão que a gente deseja fazer junto com movimentos sociais e orientada pela transformação social”.

A importância da curricularização da extensão e da construção coletiva de caminhos metodológicos e teóricos também esteve presente nos debates. Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Joana Tereza Vaz de Moura, do LabRural, afirmou que a extensão é “um tema primordial” e “essencial dentro da universidade”. Para ela, o seminário foi um espaço importante para fortalecer o diálogo entre ensino, pesquisa e extensão, além de possibilitar a troca de experiências entre pesquisadores e estudantes. “A grande expectativa é que a gente possa trocar essas experiências e possa construir coletivamente o futuro da extensão”, disse.

Os participantes também enfatizaram o caráter interdisciplinar e colaborativo do encontro. Professor da Universidade Federal do ABC, Francisco Comarú ressaltou a relevância de um modelo de extensão “mais compromissado, engajado com comunidades, com objetivos de emancipação e de transformação da sociedade”.

Segundo ele, o seminário promoveu o encontro entre pesquisadores de diferentes áreas que compartilham trajetórias extensionistas. “Foi uma oportunidade incrível”, afirmou. “Espero que a gente continue fazendo novos encontros e novas produções a partir desse momento que foi tão rico e histórico.”


Organizado pelo Nepac e pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Unicamp, o seminário contou com apoio do INCT Participa, da Comissão de Extensão do IFCH da Unicamp, e dos programas de Pós-Graduação em Sociologia da Unicamp e da UFRGS, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (Unicamp), Programa de Pós-Graduação em Ciência Política (UnB), e ProEEC – Pró-Reitoria de Extensão, Esporte e Cultura da Unicamp.

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