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Tese sobre a CUFA de pós-doc do INCT Participa é indicada ao Prêmio ANPOCS 2026
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Tese sobre a CUFA de pós-doc do INCT Participa é indicada ao Prêmio ANPOCS 2026

A tese “Caminhos para a cidadania nas favelas entre o mercado e o Estado: ações da CUFA para empreender, reconhecer e incluir”, da pesquisadora Mariana de Souza Fonseca (Resocie/UnB), foi indicada ao Prêmio ANPOCS 2026 de melhor tese, um dos principais reconhecimentos da área de Ciências Sociais no Brasil. O trabalho foi desenvolvido sob orientação da professora Débora Cristina Rezende de Almeida.

Pesquisadora de pós-doutorado do INCT Participa e pesquisadora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade de Brasília, Mariana investiga temas como cidadania, participação social, movimentos sociais, periferias e as relações entre sociedade, Estado e mercado.

Nesta entrevista ao INCT Participa, Mariana explica as inovações presentes em sua pesquisa. "A CUFA tenta encontrar outros caminhos para garantir algum tipo de acesso a direitos que o Estado falha em garantir nas favelas", afirma. 

Você pode contar um pouco mais sobre sua tese?
A tese, que está intitulada “Caminhos para a cidadania nas favelas entre o mercado e o Estado: ações da CUFA para empreender, reconhecer e incluir”, busca compreender como se dão os caminhos para a construção de cidadania nas favelas a partir do estudo de caso da CUFA. Parte de uma perspectiva de que as favelas são os territórios que mais sofrem com a implementação de politicas neoliberais. Isso vai desde a precarização do trabalho até a insuficiência de políticas públicas e a forma como o Estado lida com as pessoas nesses territórios: desde uma perspectiva de gestão populacional e não de construção de cidadania e garantia de direitos.

Diante disso, a CUFA tenta encontrar outros caminhos para garantir algum tipo de acesso a direitos que o Estado falha em garantir nas favelas. Assim, ela realiza ações principalmente no campo da cultura, esporte, lazer, mais recentemente, no campo do trabalho, trazendo o empreendedorismo como alternativa, e, após a pandemia, em algum tipo de assistência. Para realizar suas ações, ela se relaciona principalmente com o mercado — setor empresarial —, mas também com Estado, construindo formas de interação que sejam condizentes com seus objetivo.

É um caso, portanto, que expressa as transformações nas formas de ação coletiva e participação em contextos permeados pela racionalidade neoliberal. Com isso, o caminho proposto (ou encontrado) pela CUFA para cidadania está estruturado em torno das práticas de empreender — como forma de geração de renda e melhora nas condiços de vida da população —, reconhecer — as potencialidades presentes nos territórios e as soluções construídas por eles próprios — e incluir — especialmente por meio do consumo (ter acesso a bens e serviços) os moradores. Assim, essas práticas articulam empreendedorismo, consumo e pertencimento social. Embora mobilizem a linguagem e os valores do mercado, também representam tentativas de afirmação de direitos e de resistência simbólica às exclusões históricas impostas às populações das favelas.

E que aspecto da pesquisa você considera inovador?
Acho que trazer a dimensão de organizações que interagem com o mercado e que se relacionam com o Estado a partir de chaves diferentes daquelas que estamos acostumados a ver. Também mostrar que um histórico diferente de relação com o Estado, como é o caso daquele encontrado nas favelas, acarreta a necessidade de as organizaçoes buscarem outros caminhos, outros espaços de diálogo.

Também acho que tem ali uma intencionalidade em resgatar uma discussão sobre cidadania, entendendo que, apesar das garantias da constituição de 88, seus caminhos e sentidos ainda estão em disputa. Temos um conjunto grande da população que não experiencia boa parte das garantias democráticas ou, se o faz, é de maneira insuficiente e isso afeta as formas como ela se relaciona com Estado.

Além disso, a percepção de acesso a bens e serviços é central para o sentimento inclusão, por isso o relacionamento com o mercado é tão importante. A CUFA traz essa percepção de que consumir e dominar as linguagens e referências desse meio importam para ser visto, reconhecido, incluído e, a partir de então, ter seus direitos garantidos e ser, de fato, cidadão.

E como você vê sua pesquisa a partir de agora?
Acho que a tese tinha muita coisa. Tinham muitas discussões ali que eu queria fazer e consegui me aprofundar mais em umas do que em outras. O que pretendo é conseguir avançar nas reflexões que estava propondo, inclusive com colegas que conheci no meio do caminho que estão interessadas em coisas parecidas. Da mesma forma que nosso campo avançou muito na compreensão das formas de relação entre Estado e sociedade, tem também um espaco grande pra pensar o relacionamento com o mercado.

Estou tentando trabalhar nisso aos poucos. Deixar decantar também as ideias, ir conversando sobre elas, pra entender o que é possivel de pensar a partir daí.

E o que essa indicação significa para você?
Acho que primeiro de tudo dizer que minha ficha demorou muito pra cair. O IPOL tem uma qualidade muito alta de produções, então a indicação pra mim já é um prêmio. Fiquei bem feliz e surpresa com a indicação. Claro, é uma indicação também para minha orientadora, quem foi fundamental pra que a tese tivesse a qualidade que tem.

Acho que é um reconhecimento bem importante dos anos que dediquei pra isso, então sou muito grata. Acho que é uma forma de apoio, o que acaba sendo um afago e estímulo pra continuar desenvolvendo as pesquisas - ainda mais nesse momento em que, depois da defesa, a gente tá completamente cansada e esgotada. É como se me dissessem “bom, realmente tem algo interessante aqui!”, o que é bem reconfortante e estimulante.

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