Os pesquisadores Pedro Burity (Resocie/UnB e INCT Participa) e Rafael Grohmann (Universidade de Toronto) participaram do painel “Protestos Digitais e a Esfera Pública Latino-Americana”, no Congresso da Latin American Studies Association, em Paris, onde apresentaram no sábado, 30 de maio, como movimentos sociais têm mobilizado seus recursos contra a dependência tecnológica e o monopólio das big techs na América Latina.
No trabalho, apresentaram os conceitos de soberania digital popular e autonomia no ambiente digital com base no estudo de duas organizações de ordem coletivas e comunitárias no Brasil: o Núcleo de Tecnologia do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, o MTST, e o MariaLab, organização feminista que atua com gênero, tecnologias e política, e as experimentações que elas têm feito para repensar as tecnologias globais.
O MTST, explicam os pesquisadores, aplicam a noção de soberania popular digital para construir suas iniciativas. Um exemplo é o serviço Contrate Quem Luta, um chatbot que conecta trabalhadores da base do movimento com interessados em contratar diferentes serviços. Já o MariaLab constroi soluções de infraestrutura feministas a partir do âmbito da autonomia.
“Por trás dessa diferenciação entre soberania popular e autonomia, está tanto o papel do Estado, que é central numa noção de soberania e nem tão central para a noção de autonomia, quanto o alcance, uma vez que a noção de soberania popular pretende ocupar espaço enquanto noção de autonomia fica num nível mais micro, no máximo mezzo, da vida social”, afirma Rafael Grohmann.





