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Tese de doutorado de Ana Claudia Cortez analisa a institucionalização das comunidades terapêuticas no Brasil
Crédito: Imagem gerada no ChatGPT
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Pesquisadora do NDAC apresentará na LASA processo de institucionalização das comunidades terapêuticas

Dando continuidade à nossa cobertura do Latin American Studies Association (LASA), que acontece entre os dias 26 e 30 de maio de 2026, em Paris, conversamos com a pesquisadora Ana Claudia Cortez, do Núcleo de Ação Coletiva (NDAC/CEBRAP), sobre sua participação no evento. 

Ana Claudia Cortez apresentará um artigo derivado de sua tese de doutorado sobre o processo de institucionalização das comunidades terapêuticas (CTs) no Brasil entre 1990 e 2015. O trabalho analisa como organizações religiosas que atuavam de forma marginal e desregulada, então conhecidas como “casas de recuperação cristãs”, passaram a ser reconhecidas pelo Estado brasileiro e institucionalizadas como prestadoras de serviço da política nacional sobre drogas. A pesquisa mostra que esse processo ocorreu por meio da interação entre associações representativas dessas organizações e atores estatais, especialmente na construção da regulação do campo.

O argumento central, explica a pesquisadora, é que a institucionalização das CTs não apenas regulou organizações já existentes, mas produziu um novo modelo de cuidado para pessoas que fazem uso abusivo de drogas, baseado na articulação entre práticas religiosas, traduzidas institucionalmente pela categoria “espiritualidade”, e práticas técnico-científicas, especialmente da psicologia e da assistência social. Ela argumenta que o próprio modelo organizacional e de acolhimento das CTs é produto da relação dessas organizações com o Estado.

"Esse processo produziu efeitos importantes sobre o campo das organizações, promovendo simultaneamente padronização e diferenciação. De um lado, houve uma homogeneização em torno do modelo institucionalizado a partir da relação com o Estado. Essas organizações passaram a ser reconhecidas como CTs e, consequentemente, tornaram-se aptas a acessar possibilidades de parcerias e financiamento público. De outro, permaneceram organizações que mantiveram um modelo baseado predominantemente em práticas religiosas e que, por não aderirem aos novos parâmetros institucionalizados, continuaram sendo denominadas 'casas de recuperação'. Em razão disso, passaram a enfrentar maiores limitações no acesso a parcerias e recursos estatais", conta Ana Claudia Cortez.

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