O coordenador do INCT Participa e presidente do CEBRAP, Adrian Gurza Lavalle, foi um dos homenageados da última edição do Encontro Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS), durante a sessão Conversa com Autor, realizada em 8 de outubro. Com apresentação da pesquisadora Monika Dowbor (NDAC/CEBRAP), o encontro foi dedicado à trajetória acadêmica, profissional e pessoal de Adrian, reunindo lembranças e reflexões sobre sua contribuição ao campo da participação política.
A homenagem foi uma oportunidade para que novas gerações conhecessem seu percurso e para que colegas que construíram esse campo ao seu lado compartilhassem memórias e afetos. A generosidade de Adrian foi um dos aspectos lembrados durante a sessão.
Em vídeos produzidos especialmente para a ocasião, o INCT Participa conversou com o pesquisador sobre sua formação intelectual, sua escolha pelo Brasil e suas reflexões sobre a participação política.
Ao recordar sua formação, Adrian destacou a influência de intelectuais latino-americanos exilados no México durante as ditaduras da região. Segundo ele, esses encontros o ajudaram a repensar teorias e categorias de análise a partir da experiência da derrota política. “Pensar instalado na derrota obriga a pensar criativamente, obriga a revisar as categorias herdadas, obriga a revisar as teorias”, afirmou.
Essa formação teve papel importante em sua decisão de vir ao Brasil para estudar fenômenos políticos de seu próprio país, o México. O projeto inicial era retornar após a pesquisa, mas Adrian acabou permanecendo no Brasil e, como ele próprio brincou, tornou-se um especialista brasileiro em México.
O pesquisador abordou ainda um dos desafios centrais dos estudos sobre participação: ampliar os espaços de atuação política não significa, necessariamente, produzir resultados positivos. Para Adrian, a importância da participação está em permitir que outros setores da sociedade também possam fazer política, especialmente aqueles historicamente afastados dos processos decisórios.
“Precisamos ampliar o espaço da política”. Para ele, essa ampliação permite que grupos tradicionalmente afastados dos circuitos políticos possam se fazer ouvir. “A aposta na ampliação parece que é o melhor caminho”, destacou, ressaltando também o papel do INCT Participa nesta trajetória.
O pesquisador pondera, contudo, que cabe aos estudiosos compreender as consequências desse processo e investigar por que, em determinadas circunstâncias, a ampliação da participação pode produzir resultados negativos ou inesperados. A defesa de ampliar os espaços de atuação política, portanto, não pressupõe resultados necessariamente positivos, mas parte do compromisso de incluir novos atores nos processos de tomada de decisão.
Assista à entrevista com Adrian na Anpocs.





